POR
Célio Augusto de Faria
Fábio Batista
Irani Santos
Tânia Gianon
O que qualquer cidadão veste na maioria dos países do oriente e ocidente, também usam príncipes, presidentes e estrelas de cinema - o jeans. E esta peça do vestuário se desdobra e tinge sua própria história e, em todas as suas etapas, brinca com fantasias e marca cada tempo com personalidade, seja rudimentar, aventureira, desafiadora ou popular, mesmo em movimentos sociais ou em guerras.
O que o jeans provoca é a facilidade de se vestir e de se sentir bem com uma roupa. Usar ou não um jeans é decisão tomada na porta do guarda-roupa, pois como usá-lo é o que o torna pessoal, já que todos o têm ao alcance.
O jeans é um dos produtos do século XIX. Surgiu com a revolução industrial, que desencadeou grandes mudanças em todas as áreas, inclusive na têxtil. Foi produzido pela primeira vez nos Estados Unidos, pelo imigrante alemão, Levi Strauss. Inicialmente como uma vestimenta de trabalho feita em tecido rústico.
Com o tempo, já no século XX, tornou-se elemento da indumentária, sinalizando para o espírito capitalista moderno. Na década de 30, o jeans passa a ter outro significado, redescoberto pelos seguidores dos rodeios americanos, torna-se então peça chave para os cowboys. A partir daí o jeans perde o significado de roupa de trabalho para transformar-se em peça de distinção e passa a ser visto pelo mercado publicitário ultrapassando fronteiras.
Em 1935 a revista Vogue apresentou a seguinte publicidade: “O verdadeiro chic do Oeste foi inventado pelos vaqueiros, se você se esquecer deste princípio estará perdido”. O que era sinônimo de simplicidade, roupa para o trabalho pesado, transformou-se em status. A publicidade fez com que esse produto adequasse sua imagem à demanda funcional das mercadorias.
Em meados de 1950, sob o signo do inconformismo, liberdade, rebeldia, etc... o jeans foi eleito como roupa pelos jovens. Esteve com os hippies que pregavam a paz e faziam amor, nas marchas de protesto contra a guerra do Vietnã e movimento de contestação universitário nos anos 60. O jeans torna-se uma forma de expressão social, histórica, política.
Outro aspecto que o jeans carrega é ter se tornado sinônimo de roupa jovem e, sendo a juventude um ideal contemporâneo, seu uso se dissemina, independentemente da faixa etária. É a busca por manter-se jovem por meio da indumentária.
Partindo dessa constatação, o livro Moda Jeans, Fantasia Estética sem Preconceito analisa os valores da cultura contemporânea e a fantasia estética que o jeans expressa. Esses valores são trabalhados pela comunicação e pelo marketing, que utilizam estratégias específicas para cada público, estimulando a carga emocional que envolve o consumo para despertar o desejo do produto.
A dinâmica do jeans está presente em cada indivíduo, construindo uma trajetória de sucesso. O mercado elabora, a mídia divulga e o consumidor se envolve nas fantasias estéticas, sem qualquer preconceito.
Vide Bula – Paulo Vieira - O jeans é o alicerce, a base da moda. Porque marca que não tem um bom alicerce tem vida efêmera, curta. No mercado, o jeans é universal, está entranhado na vida das pessoas, faz parte da gente, independente de classe social e faixa etária. É como segunda pele”
Fórum – Eduardo Pombal - “Você consegue imaginar o mundo sem jeans? Veste pessoas de todas as idades, vai a todos os lugares, não tem diferença de classe. É a peça mais democrática do mundo, que pode andar em todas as partes do corpo. Artigo importante, atemporal, contemporâneo”.
O filósofo francês Gilles Lipovetsky, em O Império do Efêmero diz que a moda vai ao encontro disso, do efêmero. A moda é marcada pelo paradoxo que é tentar aliar escolha individual para se destacar da multidão e, ao mesmo tempo ser aceito num grupo. O jeans carrega o peso de ser aceito em todos os grupos.
Adorados sem privilégios de gêneros, os jeans cobrem vergonhas ou enfeitam o corpo de pelo menos um terço da população do mundo. Com isso percebe-se que esse objeto de desejo da indumentária faz parte da cultura contemporânea, tornando -se fantasia estética de todos os consumidores, seja de qual classe social pertencer.
A presença desta peça de vestuário, tão uniforme quanto personalizada, traz dualidade também na responsabilidade que acarreta social e economicamente. Já que o Brasil está entre os maiores produtores de jeans, é necessário pensar na repercussão na natureza, no quanto afeta o meio ambiente. Enfim, é mais um produto que se fez indispensável e que requer consciência ecológica.
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